O Sabor da Manhã

– Rumi, translated by Oliveira Simões

O punhal do tempo desliza da bainha,
como um peixe, de onde ele nada.

Estar cada vez mais perto é o desejo
do corpo físico. Não deseja a união!

Há uma aproximação além disso. Por que
Deus desejaria um segundo Deus?

Apaixona-te de modo que te livre
de qualquer conexão. O amor é a luz da alma,

o sabor da manhã, nem eu, nem nós,
nem o clamor do existir. Estas palavras

são a fumaça que o fogo solta conforme
absolve os seus defeitos, como olhos em silêncio,

lágrimas, rosto. O amor é indizível.