Guia dos melhores tradutores no mercado

– Oliver Simões *

Você está procurando agilizar sua busca pelos melhores tradutores do mercado? Neste artigo, descrevi algumas ideias sobre como fazer isso. Este não é um tópico exaustivo de forma alguma. Se você tiver alguma sugestão ou ideia para melhoria, entre em contato comigo.

Tão vasto quanto o próprio universo da tradução, também é o número de profissionais disponíveis para trabalhar na maioria dos projetos. A questão é: quantos conseguem entregar um trabalho preciso e profissional que realmente reflita o significado pretendido pelo autor, usando um registro apropriado e sem perder ou adicionar coisas? Minha resposta honesta: provavelmente não tantos quanto você imagina.

As primeiras impressões são as que ficam!

Nunca subestime suas primeiras impressões; sempre procure por pistas. Por exemplo, quando você acessa o perfil ou site de um tradutor, qual é seu pressentimento? A página ou portal parece profissional, bem escrito, completo e fácil de navegar? Ou parece desleixado, incoerente, como o trabalho de um aluno do 7º ano? (Sem ofensa aos alunos do 7º ano, é só uma expressão!)

Se eu tivesse que citar as quatro coisas mais importantes que os tradutores devem ter, eu definitivamente incluiria: experiência e prática, teoria e técnicas, habilidades de pesquisa e ferramentas de trabalho.

Experiência e Prática

O(s) tradutor(es) que você está procurando contratar tem alguma experiência de trabalho anterior na área? Uma boa maneira de descobrir é olhar o currículo deles, talvez até mesmo fazer algumas perguntas específicas da área ou fazer um pequeno teste de tradução. Lembre-se de algumas coisas, no entanto: (1) Um novato pode ser um botão esperando para desabrochar em uma linda flor, mas a única maneira de isso acontecer é se você der a ele/ela uma oportunidade de mostrar seus talentos e habilidades. (2) Alguns tradutores (especialmente veteranos com diploma) não gostam de fazer testes, ainda mais se não estiverem sendo pagos por isso. Em qualquer caso, a experiência por si só não se correlaciona necessariamente com boas traduções. Sua melhor aposta é alguém com experiência e conhecimento. Você tem que ir mais fundo no seu processo seletivo.

Teoria e Técnicas

Alguns recrutadores alimentam o equívoco de que conhecimento teórico ou técnico sobre tradução é balela. Eu argumentaria exatamente o oposto: a teoria é extremamente importante em qualquer área da tradução. Não importa se o tradutor é especialista em medicina, técnica ou literatura, ele/ela tem muito a ganhar com teorias de tradução e o corpo de conhecimento acumulado ao longo dos séculos por seus antecessores. (Acredito fortemente no treinamento acadêmico e formal.) Como você pode esperar bons resultados contratando alguém que não consegue diferenciar um calque, uma modulação ou uma explicitação? Contratar um tradutor sem formação teórica é como contratar um encanador sem prática e esperar que não haja vazamentos de água na casa, com a grande diferença de que o encanamento é principalmente um trabalho manual, enquanto a tradução é altamente intelectual por natureza. A propósito, você sabia que…

 

Habilidades de pesquisa

Bons tradutores são excelentes pesquisadores por natureza. Com uma expansão cada vez maior do conhecimento humano em todas as áreas, seria irracional esperar que os tradutores soubessem tudo. Isso simplesmente não vai acontecer, e é aí que as habilidades de pesquisa do tradutor fazem uma grande diferença. Você pode estar se perguntando: como sei se esse é o caso? Aqui estão minhas sugestões:

Descubra a classificação do tradutor em diretórios profissionais como ProZ ou Translators’ Cafe. Essas duas plataformas oferecem um sistema de classificação com base no desempenho de seus membros em questões de terminologia e/ou idioma. Mas não se contente com nenhum número mágico que você acha que possa resolver. Considere o número de pontos em relação aos anos de associação. Além disso, analise mais profundamente a(s) maneira(s) como os tradutores estão abordando as perguntas relativas à tradução de termos técnicos e não técnicos. Eles fornecem referências confiáveis ​​para respaldar suas respostas? São profissionais em suas interações? Como eles interagem uns com os outros? Acho que é justo supor que a maneira como um tradutor se retrata em público não será muito diferente da forma como ele interagiria com você!

Ferramentas do ofício

Parece haver uma suposição no mercado de que todo tradutor hoje em dia tem ou deveria ter o Trados em seu kit de ferramentas e, se não tiver, será considerado como não estando “à altura” e, portanto, automaticamente desqualificado do pool de candidatos. Que triste! A verdade é que, ao exigir que seus tradutores tenham um software específico, as agências/empresas podem estar perdendo excelentes profissionais. Então, deixe-me esclarecer: o Trados nunca foi e nunca será um sinal de boa tradução. É simplesmente outra ferramenta de ajuda por computadores (CAT tool). Pessoalmente, prefiro o Smartcat e decidi instintivamente que nunca serei um cara do Trados. Afinal, há uma infinidade de ferramentas CAT disponíveis, então “chacun à son goût” (gosto não se discute) e “vive la différence”.

Em minha experiência nas plataformas de tradução, fiquei chocado ao descobrir que alguns colegas parecem ter aversão a dicionários. Sério? Pode apostar. Ou eles acham que sabem demais ou simplesmente presumem que os dicionaristas não sabem o suficiente. Acho alucinante que alguns tradutores estejam operando desse ponto de vista. Para mim, dicionários e outros materiais de referência são ferramentas essenciais do meu ofício.

Outros fatores não menos importantes na busca pelos melhores tradutores são:

O profissionalismo

Tradutores excelentes se importam com a imagem que querem projetar. Seu comportamento é nada menos que profissional, começando no primeiro encontro com um cliente em potencial. Eles elaboram suas comunicações (por escrito ou por telefone) em português claro e culto (ou qualquer que seja sua língua) com pontuação adequada, maiusculização e outras convenções de escrita ou fala. Idealmente, eles têm um site ou página de perfil com amostras do seu trabalho, depoimentos de clientes e outras informações relevantes para o cliente. Um currículo bem elaborado e sem erros pode ser um bom indicador da qualidade do trabalho futuro.

A capacidade de cumprir prazos

Nem preciso dizer que bons tradutores se esforçam ao máximo para cumprir prazos. Se por algum motivo não conseguirem, eles avisarão seu cliente com antecedência em vez de esperar até o último minuto.

O espírito de trabalho em equipe

Os melhores tradutores que conheci são guiados por um senso de trabalho em equipe. São ótimos colaboradores em equipe que adoram transmitir seu conhecimento e experiência em vez de se esconderem em torres de marfim e guardarem para si todas as habilidades e know-how que acumularam na vida.

O diferencial de preço

Por último, mas não menos importante, cada tradutor tem seu preço. Com os avanços tecnológicos e a competição crescente na força de trabalho, é possível encontrar pessoas dispostas a trabalhar por valores muito mais baixos. Para piorar a situação, há uma prática bem conhecida por parte de algumas agências para maximizar seu ROI em detrimento da qualidade do trabalho. Há alguns meses, uma agência de tradução me ofereceu US$ 0,015 por palavra. Sério. Após minha recusa taxativa, eles aumentaram a oferta para US$ 0,04, o que ainda está muito abaixo do que um tradutor técnico deveria ganhar em qualquer campo especializado. O ponto principal é simples: você recebe o que paga. Como esperado, valores baixos e más condições de trabalho geralmente significam baixo moral, baixa qualidade e uma maior probabilidade de perdas financeiras para o usuário final! As agências de tradução têm o poder de equilibrar seus orçamentos entre um ROI projetado e a qualidade do trabalho que desejam obter em troca. A decisão de nivelar o campo de jogo é inteiramente delas.

Oliver Simões é paulista e radicado nos Estados Unidos, ex-professor de inglês/português, com mais de 20 anos de experiência combinada como tradutor, intérprete, revisor e redator. Ele é bacharel em Tradução e Interpretação (Unibero, Brasil) e mestre em ESL pela Universidade do Arizona (EUA). Também é autor de um dicionário de expressões idiomáticas em inglês e português brasileiro.